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sábado, 31 de agosto de 2013

Liberdade - Jonathan Franzen



 

“Uma obra-prima da ficção americana” escreveu a New York Times Book Review.
“Liberdade é o romance do ano e do século. É um clássico moderno”, disse o Guardian.
 

E eu concordo com entusiasmo. Jonathan Franzen comete a proeza de escrever um romance, que engloba vários romances em torno da figura principal do bom e sensível Walter, de sua mulher Patty e do melhor amigo dos dois, Richard. Depois, temos os filhos e os avós paternos e maternos. Histórias que se interssecionam, que seguem ritmos diferentes, se confrontam e se completam. 

O romance é escrito em tempos diferentes, porque o tempo não é linear. Somos forçados a voltar atrás para, depois, seguir em frente. 
Quando comecei a leitura, parecia-me estar a reler Hemingway. Mas, tão só no estilo de linguagem simples, próxima do jornalismo, sem recursos estilísticos elaborados. 

Onde Jonathan Franzen se singulariza é na magistral análise das relações humanas, do quotidiano familiar de um casal de intelectuais liberais da classe média americana, e na forma inteligente como decompõe as aparentes evidências, escavando as camadas da personalidade das principais personagens do romance até obter a visualização do eu verdadeiro, ainda que, para o conseguir encontrar, levante estrato, após estrato, deixando, a pele e a carne ensanguentada pelo caminho, até chegar ao limite do sofrimento e da aceitação.

A páginas tantas aparece uma autobiógrafa a fazer o relato dos acontecimentos, em vez do narrador. Trata-se de Patty que, como forma de terapia para a sua depressão, sugerida pelo seu terapeuta, escreve o que vê, o que os acontecimentos representam para ela e o que sente. 
O seu manuscrito “Foram Cometidos Erros” terá uma importância fulcral na vida de todos, mas principalmente na de Walter, “porque o documento fora obviamente escrito para ele, como uma espécie de desculpa desanimada, que não podia ser-lhe entregue. Walter era a estrela do drama de Patty; ele (Richard), apenas um ator secundário.”

Tudo se passa à volta de Walter, a figura principal. Ele é o esteio moral que suporta, protege e apoia o amigo Richard, músico, sexualmente libertino, e a mulher, Patty, manipuladora, competitiva, que gostava de ser uma estrela em quase todas as situações, que ele fatalmente idealizou e, como tal, amou a imagem que dela construiu.

“No seu íntimo, Patty sabia que a impressão que Walter tinha dela estava errada. E o erro que decidiu cometer, o erro verdadeiramente grande de uma vida, foi ir atrás dessa versão, apesar de saber que não era a correta. Ele parecia tão certo da sua bondade, que acabou por cansá-la.”

A bondade de Walter, o seu idealismo impenitentemente ativo, a sensibilidade tão apurada, a capacidade de entrega e de despojamento não foram tão sexualmente atrativos para Patty como a irresponsabilidade de Richard, que se servia das mulheres em série e que para ela representou o sabor agridoce da traição, a “droga má”.

A liberdade aparece, ao longo do romance citada poucas vezes, (“As tentações e os fardos da Liberdade”),mas o suficiente para perceber que não basta tê-la, é preciso saber usá-la. Patty lamentava-se por ser livre. Tinha chegado a uma conclusão, não sabia fazer bom uso da sua liberdade e, depois de ir até ao limite, chorou pelo seu “próprio ser desafortunado e transgressor”.

“Passei toda a minha vida a saltar para fora da minha pele, frustrada comigo mesmo”, diz Patty a Richard. Joey e Jessica, os filhos, ambos com as suas vidas e convicções diferentes e, por fim, Lalitha, a assistente de Walter, jovem e brilhante, cada um com a sua própria história que se entrecruza com todas as outras.

Esta é uma obra notável, um épico contemporâneo do amor e do casamento, mas também da amizade, que nasce nos dias mais ingénuos da Faculdade e se desenrola até às memórias e ao desencanto da meia-idade. Progride perante os nossos olhos, com uma proximidade que nos toca, pelos temas tão atuais que aborda, que nos magoa, nos faz sorrir e chorar, porque todos estão, afinal, tão próximos de nós, que nos sentimos também parte do romance.

“Walter abraçou-a e esfregou-a ligeiramente, amaldiçoando-a constantemente, amaldiçoando a posição em que ela o deixara, Durante muito tempo ela não aqueceu, continuava a adormecer e mal acordava, mas por fim algo pareceu estalar dentro dela e começou a tremer e agarrou-se a ele. Walter continuava a esfregá-la e a abraçá-la, e então, de repente, os olhos de Patty escancararam-se e ela estava a olhar para ele.

Os seus olhos não pestanejavam. Ainda havia neles algo de quase morto, algo muito distante. Parecia estar a olhar até ao fundo dele e para mais além, para o exterior, para o espaço frio do futuro no qual dentro em breve ambos estariam mortos, e no entanto estava a olhá-lo diretamente nos olhos, e ele conseguia senti-la a aquecer a cada minuto que passava. E então ele deixou de a olhar nos olhos e começou a olhar para dentro deles, a devolver-lhes o olhar antes que fosse demasiado tarde, antes que aquela ligação entre a vida e aquilo que se sucedia à vida ficasse perdida, e ela visse toda a perversidade que existia dentro dele, todos os ódios de duas mil noites solitárias, enquanto os dois ainda estavam em contacto com o vazio no qual a soma de todas as coisas que eles tinham dito ou feito, todas as dores que se tinham infligido, todas as alegrias que tinham partilhado, poderia pesar menos do que a mais leve das penas ao vento.
- Sou eu – disse ela. – Só eu.
- Eu sei – disse Walter, e beijou-a.”

Jonathan Franzen. Liberdade. D. Quixote. 2011. (684 páginas).




quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Haja Coragem, senhores!

Ontem, deitei-me indignada com a notícia de que a Alemanha quer que a Grécia pague a dívida com património. Não sei se pretendem o Templo de Delfos ou a Acrópole, ou outro monumento...
Qualquer dia exigem o mesmo de Portugal e o Governo oferece-lhes a Torre de Belém, a Sé, os Jerónimos e, quem sabe o Castelo de S. Jorge.

Hoje, fiquei a saber que o FMI quer para Portugal a redução do ordenado mínimo; a redução dos salários dos jovens; a eliminação de cláusulas de protecção do posto de trabalho dos trabalhadores que pertencem aos quadros das empresas, em detrimento de outros; ou a introdução de um contrato único para novos contratados.
É sabido que o ordenado mínimo nacional é dos mais baixos da Europa.
É sabido que, quer em Portugal quer na Grécia, existem já muitos milhares de pessoas a viver abaixo do limiar da pobreza.
É sabido que que o Governo português considera o desemprego uma oportunidade e que incentivou os jovens a emigrarem. As boas oportunidades estão no estrangeiro, pois claro. Não se faz mais do que partir na senda de Pedro Álvares Cabral ou Vasco da Gama... 
É sabido que até os membros da chamada classe média já recorrem, envergonhadamente, ao Banco Alimentar contra a Fome.
Que fiquem cá os reformados e os velhos. Com as medidas que estão a ser tomadas em todas as áreas e, particularmente, com a restrição de medicamentos nos hospitais, não demorarão muito tempo a morrer e a aliviar o Estado dos seus encargos.
Mandam-se embora os novos e liquidam-se lentamente os velhos. 
Este país será, em breve, uma coutada para os ricos.

E ninguém se revolta. Baixam os braços ou, se ainda têm forças, vão-se embora.

Que fazer a este grito que já não me cabe no peito?

Que fazer com esta indignação que me rouba o sol dos dias?

Tenho tanta dor, tanta mágoa, tanta insurreição amordaçada que já não cabem nos rios e afluentes do meu país.


Haja Coragem, senhores!
Haja Dignidade!

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Martin Luther King discursou há 50 anos :" I Have a dream"


"I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character."...   

Exatamente há 50 anos, a 28 de agosto de 1963, Martin Luther King discursava frente a 250 mil ativistas, no Memorial a Lincoln, em Washington, um acontecimento que serviu de bandeira na luta pela igualdade racial a nível mundial. 

Martin Luther King proferiu o seu célebre discurso sobre os direitos humanos e a liberdade, contra o racismo (que, infelizmente, ainda hoje existe por todo o lado), sendo a sua mais conhecida frase: "I have a dream", repetida um pouco por todo o mundo até aos dias de hoje. Ninguém a esqueceria, jamais, e ficaria para sempre associada ao seu corajoso autor.

Para além do inegável impacto político que lhe seria associado, este discurso é uma das mais brilhantes peças de oratória alguma vez proferidas, com componentes poéticas e religiosas que comoveram o mundo e  valeram a Luther King muitas ameaças de morte.
Pouco tempo mais de vida lhe estava destinado. Seria assassinado, já depois de lhe ter sido atribuído o Prémio Nobel da Paz, cinco anos mais tarde, no auge do combate pelos direitos civis da população negra.





Hoje os EUA têm o seu primeiro  Presidente negro, Barac Obama que discursa no mesmo local, de há 50 anos, em homenagem a Martin Luther King.
Porém, há mais diferenças do que semelhanças entre os dois líderes. Martin Luther King tinha opiniões muito distintas do Presidente Obama, principalmente no que concerne ao militarismo dos Estados Unidos. Luther King identificava-se com o movimento pacífico pela não-violência, fundado por Mahatma Gandhi, e frequentemente discursava contra a guerra do Vietnam. A sua posição seria certamente crítica  também hoje.


No entanto, também é preciso ter em conta que vivemos tempos e épocas muito distintos. King não testemunhou os ataques do 11 de Setembro ou as consequentes guerras no Afeganistão e no Iraque. E Barack Obama não teve que viver sob o regime racial que corporizava a legislação norte-americana até 1964.


Mas isso não significa que Obama não tenha que fazer frente ainda a formas de racismo, que hoje se apresentam de forma mais subtil. Está bem recente nas nossas memórias atuais o assassinato “acidental” do jovem negro Trayvon Martin e não podemos esquecer o número desproporcional de negros nas prisões americanas, bem como a gentrificação das grandes cidades.
Penso, apesar de tudo, que Martin Luther King, nunca seria presidente dos EUA. Se vivesse hoje, estaria a lutar, nas ruas e nas iguejas, por um país livre de armas e de lobbies, contra intervenções armadas no estrangeiro para satisfazer a ganância dos senhores da alta finança e encabeçaria a frente dos movimentos civis por um país realmente melhor e igual para todos. Se vivesse hoje não ignoraria uma Humanidade carente dos esforços unidos de todas as pesssoas de bem, de todas as cores, para acabar com a fome, a miséria, o fosso cada vez maior entre ricos e pobres, o trabalho infantil, a violência exercida sobre mulheres e crianças. Se vivesse hoje ainda estaria à frente de todos os que se unem pelo direito universal à educação, à saúde e a um trabalho digno para todos. Se vivesse hoje talvez tudo fosse um pouco diferente. Porque ele saberia, de novo, dar alento a todos os que já perderam a esperança e, quem sabe, poderia reacender-se ainda a chama da luta.

Martin Luther King foi o meu ídolo de adolescente. Bebi as suas palavras, Fortaleci-me na sua audácia e na sua coragem. Devo-lhe muito do que fui e sou. Ele faz parte da minha história de vida
 e isso já ninguém me pode tirar. 



Segue-se o texto  do:
     Discurso de Martir Luther King, Jr 
na Marcha para Washington, 1963

“EU TENHO UM SONHO” 

Há cem anos passados, um grande americano, sob cuja simbólica sombra nos encontramos, assinava a Proclamação da Emancipação. Esse importante decreto foi como um raio de luz de esperança para milhões de escravos negros que tinham sido marcados a ferro nas chamas de vergonhosa injustiça. Veio como uma aurora feliz para terminar a longa noite do cativeiro. 
Mas, cem anos mais tarde, devemos enfrentar a realidade trágica de que o Negro ainda não é livre. Cem anos mais tarde,  a vida do Negro é ainda lamentavelmente dilacerada pelas algemas da  segregação e pelas correntes da discriminação. Cem anos mais tarde, o Negro continua a viver numa ilha isolada de pobreza, no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos mais tarde, o Negro ainda definha à margem da sociedade americana, encontrando-se no exílio na sua própria pátria. Assim, encontramo-nos aqui hoje para dramatizarmos tal consternadora condição. 
En certo sentido, viemos hoje à capital de nossa nação para descontar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram  as palavras majestosas da Constituição e da Declaração de Independência, estavam a assinar uma nota promissória da qual cada cidadão americano seria herdeiro. Essa nota foi uma promessa de que todos os homens teriam garantidos os seus inalienáveis direitos à vida, à liberdade e à busca da felicidade.
É óbvio que ainda hoje a América não pagou a nota promissória no que diz respeito aos seus cidadãos de cor. Em vez de honrar tal compromisso sagrado, a América deu ao Negro  um cheque sem cobertura; um cheque que foi devolvido com a seguinte inscrição: “sem cobertura”. Porém, recusamo-nos a aceitar a ideia, de que o banco da justiça está falido. Recusamo-nos a acreditar que não existirem fundos suficientes  nos grandes cofres de oportunidades desta nação. Por isso viemos aqui para cobrar o tal cheque – um cheque que nos será pago com as riquezas da liberdade e a segurança da justiça.
Também viemos a este lugar sagrado para lembrar à América a veemente urgência do agora. Este não é o tempo para relaxarmos, nem para tomarmos a pílula tranquilizante do gradualismo. 
Agora é tempo para que se tornem reais as promessas da Democracia.
Agora é tempo de nos erguermos do vale escuro e desolado da segregação para o caminho iluminado da justiça racial.
Agora é tempo de abrir as portas da oportunidade para todos os filhos de Deus. 
Agora é o tempo de levantar a nossa nação da areia movediça da injustiça racial para a rocha sólida da fraternidade. 
Seria fatal para a nação não levar a sério a urgência do momento e subestimar a determinação do Negro. Este sufocante verão do descontentamento legítimo do Negro não passará até que ocorra o revigorante outono da liberdade e igualdade.
1963 não é um fim, mas um começo. Aqueles que crêem que o Negro precisava apenas desabafar, e que agora ficará contente como está, terão um rude despertar se a Nação retornar à sua vida normal como sempre. Não haverá tranquilidade nem descanso na América até que o Negro tenha garantidos todos os seus direitos de cidadania. Os turbilhões da revolta continuarão a sacudir as fundações de nossa Nação até que desponte o luminoso dia da justiça. 
Existe algo, porém, que devo dizer ao meu povo que se encontra no caloroso limiar que conduz ao palácio da justiça. No processo para ganharmos o nosso lugar de pleno direito, não devemos praticar atos irregulares. Não busquemos satisfazer a sede pela liberdade tomando a taça da amargura e do ódio. Devemos conduzir sempre a nossa luta no plano elevado da dignidade e disciplina. 
Não devemos deixar que o nosso protesto criativo degenere em violência física. 

Sempre e cada vez mais devemos erguer-nos às alturas majestosas de enfrentar a força física com a força da alma. Esta maravilhosamente nova militância que submergiu a comunidade negra não nos deve levar a desconfiar de todas as pessoas brancas, pois muitos de nossos irmãos brancos, como está evidenciado pela sua presença aqui, hoje, estão conscientes de que os seus destinos estão ligados ao nosso destino, e que a sua liberdade está instrinsicamente unida à nossa liberdade . 
Não podemos caminhar sozinhos. 
Á medida que caminhamos, devemos assumir o compromisso de marcharmos avante. 
Não podemos retroceder. Existem aqueles que perguntam aos devotados aos direitos civis: “Quando é que vocês ficarão satisfeitos?”
Não podemos ficar satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores incontáveis da brutalidade policial. Não podemos ficar satisfeitos enquanto os nossos corpos, pesados pela fadiga da viagem, não puderem encontrar um lugar de descanso nos motéis das estradas e nos hotéis das cidades.
Não podemos ficar satisfeitos enquanto a mobilidade básica do Negro passa de um gueto pequeno para um maior.  
Não podemos ficar sastisfeitos enquanto as nossas crianças forem despojadas da sua dignidade por sinais que estabelecem "Só para brancos".Não podemos jamais ficar satisfeitos enquanto um Negro no Mississipi não poder votar e um Negro em Nova York pensar que  não existe nada pelo qual votar.
Não, não, não estamos satisfeitos, e não ficaremos satisfeitos até que a justiça corra como água e a retidão também, como uma poderosa correnteza. 
Não desconheço que alguns de vós vieram aqui com muitas dificuldades e tribulações. Alguns de vós saíram recentemente de diminutas celas de prisão. Alguns de vós  vieram de áreas onde a busca pela liberdade vos deixou marcas das tempestades de perseguição e vos fez tremer pelos ventos da brutalidade policial. Vocês são veteranos do sofrimento criativo. Continuem a trabalhar com a fé de que um sofrimento imerecido é redentor. 
Voltem ao Mississipi, voltem ao Alabama, voltem à Carolina do Sul, voltem à Geórgia, voltem à Louisiana, voltem à favelas e aos guetos de nossas modernas cidades, sabendo que, de alguma forma, esta  situação pode e será alterada.
Não nos espojemos no vale  do desespero. 

Digo-vos, hoje, meus amigos, que apesar das dificuldades e frustrações do momento, ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano. 
Tenho um sonho  que um dia esta  nação levantar-se-á e viverá o verdadeiro significado da sua crença. 

“Afirmamos que estas verdades  são evidentes; todos os homens foram criados iguais”. 
Tenho um sonho que um dia nas montanhas rubras da Geórgia os filhos de antigos escravos  e os filhos de antigos donos de escravos poderão sentar-se à mesa da fraternidade. 
Tenho um sonho que  um dia o estado do Mississipi, um estado deserto  sufocado pelo calor da injustiça e opressão, será transformado num oásis de liberdade e justiça. 
Tenho um sonho que os meus quatro filhos pequenos  viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. 
Tenho um sonho, hoje. 
Tenho um sonho que um dia no estado de Alabama, cujos lábios do governador atualmente pronunciam palavras de "nterposição" e "anulação", os meninos negros, e as meninas negras, possam dar  as mãos e caminhar juntos,  lado a lado, como irmãos e irmãs.
Tenho um sonho, hoje. 
Tenho um sonho que um  dia todo o vale será exaltado, toda a montanha  e encosta serão niveladas, os lugares ásperos tornar-se-ão lisos,  e os lugares tortuosos  serão  direcionados, e a  glória do Senhor será  revelada,  e todos os seres a verão, juntos
Esta é nossa esperança. Esta  é a fé com a qual regresso ao sul. Com esta fé seremos capazes de arrancar à montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé  poderemos transformar as dissonantes discórdias de nossa  nação numa linda sinfonia de fraternidade. Com  esta fé poderemos trabalhar juntos, orar, juntos, lutar juntos, ir para a prisão juntos, erguermo-nos pela liberdade juntos, sabendo  que um dia seremos livres. 
Esse será o dia em que  todos os filhos de Deus poderão cantar com um  novo significado: “O meu país é teu, doce terra de  liberdade, de ti eu canto. Terra onde morreram os meus pais, terra do orgulho dos peregrinos, de  cada rincão e montanha que ressoe a liberdade”. 
E se  a  América for  destinada  a ser uma grande nação isto tornar-se-á realidade. 
Que a liberdade ressoe  destes prodigiosos planaltos de  New Hampshire.  
Que a  liberdade ressoe destas poderosas montanhas de New York.

Que a liberdade ressoe  dos elevados Alleghenies da Pensilvânia! 

Que  a liberdade ressoe dos  nevados cumes  das montanhas Rockies do Colorado!

Que a liberdade ressoe dos  picos curvos da Califórnia! 

Não somente  isso; que a liberdade ressoe  da Montanha de Pedra da Geórgia!   

Que  a liberdade  ressoe da Montanha Lookout do  Tennessee! 
Que  a liberdade ressoe de cada Montanha e  de  cada pequena elevação do  Mississipi. 
De  cada rincão e montanha, que a liberdade ressoe. 
E quando isto acontecer, quando permitirmos que a  liberdade soe, quando a deixarmos ressoar  em cada vila  e em cada aldeia, de cada estado  e  de cada cidade, seremos capazes de apressar o dia  em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus  e gentís, protestantes e católicos, hão de poder dar as  mãos e cantar as palavras da antiga canção espiritual negra: 
“Finalmente livres! Finalmente livres!
Graças ao Deus, todo poderoso, estamos finalmente livres!”



quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Fotografias com História - Camille Claudel

Camille Claudel é o nome artístico de Camille Athanaïse Cécile Cerveaux Prosper (Aisne, 8 de dezembro de 1864 - Paris, 19 de outubro de 1943), escultora francesa, que teve um intenso caso de amor com Rodin e uma vida trágica.

Desde menina, revelou um talento precoce, que o pai, apesar da oposição da mãe, alimentou, proporcionando-lhe os estudos adequados.
Aos 17 anos, Camille deixou a casa e partiu para Paris, perseguindo o sonho de vir a ser uma grande escultora. Inscreveu-se na Academia Colarossi, uma escola que formava artistas escultores, onde teve como professores, primeiro Alfred Boucher e depois Auguste Rodin. São dessa época as obras, La Vieille Hélène ( coleção particular) ou Paul à treize ans, que impressionam muito positivamente Rodin, a ponto de a convidar a trabalhar no seu ateliê particular, em 1885.

Existe alguma incerteza quanto aos trabalhos que Camille executava, mas, pensa-se, que, na sequência das grandes encomendas que Rodin recebeu, a ela estavam destinados os trabalhos mais difíceis, como os pés e as mãos das esculturas destinadas a figuras monumentais (em particular La Porte de l’Enfer). Era um período experimental para Camille, em que assimilava a teoria dos perfis e compreendia a importância da expressão. Paralelamente prosseguia as suas pesquisas e realizava trabalhos, principalmente bustos e retratos, que foram expostos no Salon dos artistas franceses. Graças a Léon Gauchez, um critico e marchand belga próximo de Rodin, várias das suas obras entraram em diferentes museus franceses nos anos de 1890.

Por seu turno, Camille exerceu alguma influência sobre o seu mestre. A proximidade estilística dos dois artistas é tão grande, que, por vezes torna-se fácil confundir entre a mão de um ou do outro. A paixão eclode entre Camille e Rodin. As obras que o mestre realizou durante esse período – retratos de Camille -, como Camille aux cheveux courts, Masque de Camille e L’Éternel printemps, entre outras, revelam bem o amor que ele lhe votava. Por seu turno, Camille presta uma eterna homenagem ao seu mestre em le Buste de Rodin, que executa em 1888-89, e que é bem acolhido pela crítica do Salon.

O amor intenso vivido entre ambos teve um fim porque Rodin recusava abandonar a sua companheira, desde os tempos difíceis, Rose Beuret. Camille revelou um caráter violento e demonstrou a sua cólera nas caricaturas que fazia de ambos. Triste e deprimida, mas apostada em realizar a sua obra autonomamente, dedica-se inteiramente ao trabalho. São dessa altura as obras, La Valse (Museu Rodin) ou La Petite Châtelaine (Museu Rodin). Acusada de copiar Rodin, Camille afunda-se na depressão, que, mais tarde, a levará à loucura. 

O afastamento entre ambos culmina com a rutura em 1898. Este drama parece ter influenciado a sua famosa L’Age Mûr (Museu d'Orsay), onde a tensão dramática entre as figuras parece refletir o caráter trágico do destino humano. Passa, então a nutrir sentimentos de amor e ódio por Rodin. Os períodos paranoicos, as obsessões e mania de perseguição aumentam. Afasta-se de todos, isola-se, mal se alimenta, tem ideias de suicídio e vai vivendo quase miseravelmente das poucas obras que consegue vender, na ausência de encomendas do Estado. A inteligência e a força do seu talento foram apoiadas por alguns mecenas privados, mas não compreendidas e aceites amplamente no seu tempo. 

A morte do pai, em 1913, única pessoa, que verdadeiramente a tinha amado e apoiado sempre, contribuiu inexoravelmente para a agudização do estado de Camille, que acabou por ser internada pela família no asilo de Ville-Evrard, onde viveria 30 anos, até à sua morte em 1943, com quase 79 anos.

Terminava assim, brutalmente, a carreira brilhante de Camille Claudel.

Quando Camille foi internada, já Rodin estava velho, a I Guerra Mundial tinha deflagrado, mas o seu amor por Camille não se tinha extinguido. Foi por decisão sua que o museu que viria a ter o seu nome e a obra legada ao Estado francês, foi criado um espaço de exposição exclusivamente dedicado às obras de Camille Claudel. 

A paixão e a arte, que os tinham aproximado, ficaram para sempre unidas no Musée Rodin, em Paris, até aos dias de hoje.

Camille Claudel

Auguste Rodin

Rodin por Camille Claudel

Camille Claudel, L’Âge mûr, 1893-1900,

Camille esculpea  sua obra "Sakountala", exposta e premiada em 1888

 La Valse

Dana

La vague

L' Abandon
 
L´Abandon, grande modelo em bronze

Camille Claudel, em foto de 1929, posa para foto no hospital psiquiátrico

Camille-Claudel-par-elle-même

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Dia Mundial da Fotografia

A fotografia capta num instante a alma das pessoas e das coisas e materializa a nossa memória e a da humanidade. 
Desde 1826 que o homem tem vindo a aperfeiçoá-la. 
O futuro não tem limites.



ALFRED EINSENSTAEDT (nasceu em Dirchau, na antiga Prússia, em  6 de Dezembro de 1898 – morreu em Nova York a 24 de Agosto de 1995) foi um fotógrafo e fotojornalista norte americano.


Ficheiro:V–J day Times Square por Alfred Eisenstaedt.jpg
Dia da Vitória em Times Skware, 1945

 Dr. Joseph Goebbels 1933

 Winston Churchil. 1951

Destitute man with doll near Rue St. Denis in old section 1930 

 Eisenstein- Princeton. 1949

Mussolini. Piazza San Marco. 1934

 Dr. Martin Luther King Jr. and Kenneth Kaunda 1960

 Senator Kennedy in his office after beeing nominated 1960 





Ernest Hemingway. Cuba.1952.

 Katharine Hepburn.1938



Marilyn Monroe.1963

 Sophia Loren. Closeup 1961 

President Clinton.1993


ALBERTO KORDA. (Nasceu em Havana1a 14 de setembro de 1928 — morreu em Paris, a 25 de maio de 2001) foi um fotógrafo cubano que se tornou mundialmente conhecido por Guerrillero Heroico, retrato que fez de Che Guevara.

Che Gevara. 5 de Março de 1960.


GEORGES BRASSAI (pseudónimo de Gyula Halász) nasceu em Brassó, Hungría (Transilvania), a 9 de setembro de 1889 e morreu  em Nice, França, a 8 de julho de 1964. Ficou conhecido como O Fotógrafo da Noite.



















DOROTHEA LANGE foi uma influente fotógrafa documental e fotojornalista americana. Nasceu em Hoboken, 26 de maio de 1895  e morreu em  11 de outubro de 1965. Nos anos 30,, ao serviço da Farm Security Administration, percorreu vinte e dois estados do Sul e Oeste dos Estados Unidos, recolhendo imagens que documentam o impacto da Grande Depressão na vida dos camponeses.

Mãe Emigrante. 1936

Migratory Cotton Picker, 1940

Dorothea Lange. 1936


Ditched, Stalled, and Stranded, San Joaquin Valley, California, 1935

Dorothea Lange_Last Ditch Series 1964

White Angel Bread Line, 1932



HENRI CARTIER BRESSON nasceu em Chanteloup-en-Brie a 22 de agosto de 1908 e
 morreu em Montjustin a 2 de agosto de 2004. Foi considerado por muitos o pai do fotojornalismo.






Praia da Nazaré. Portugal.1955

New York-1947

Madrid  1933

Lisboa. Portugal.1955

Cidade do México.1963

Istambul.1965

Somone de Beauvoir. Paris. 1946

New York 1946

France.1968. Brie

Índia.. Delhi. Birla House. 1948. GANDHI dictates a message, just before breaking his fast.

Delhi. Birla House. 1948. GANDHI's body. He had been assassinated the day before.



ROBERT DOISNEAU foi um influente fotógrafo francês, que nasceu na cidade de Gentilly, Val-de.Marne, a 14 de Abril de 1912 e morreu a 1 de abril de 1994

O Beijo do Hotel de Ville


L'Accordeoniste, rue Mouffetard, 1951


Hell


Picasso and the gloves


Coco Chanel


Danse à Saint Germain des Prés, Paris, 1951


Georges Braque a Varengeville, Normandie, 1953


Jacques Prevert, Paris, 1955.



Sebastião Salgado é um famoso fotógrafo brasileiro, que nasceu em Aimorés, a  8 de fevereiro de 1944. Ganhou praticamente todos os prémios internacionais que havia para ganhar. Na introdução do seu livro de fotografias, Êxodos,, escreveu: "Mais do que nunca, sinto que a raça humana é somente uma. Há diferenças de cores, línguas, culturas e oportunidades, mas os sentimentos e reações das pessoas são semelhantes. Pessoas fogem das guerras para escapar da morte, migram para melhorar sua sorte, constroem novas vidas em terras estrangeiras, adaptam-se a situações extremas…". 
















Madonna